Prometi que a gente ia falar de decisão de forma mais densa. Falamos.
Mas tem uma parte que eu deixei de fora de propósito. Porque merecia espaço próprio.
Seguinte: Já vi empresa que demorou meses pra decidir. Reunião. Estudo. Alinhamento. Comitê. Mais reunião, mais pareceres, mais alinhamentos e mais comitês.
Quando a decisão finalmente saiu, todo mundo respirou aliviado… Por aproximadamente 19 minutos e 33 segundos.
Porque aí começou um novo problema. Ninguém sabia exatamente o que fazer. A decisão existia. Estava no slide, na ata, até no e-mail do CEO. Mas na operação, nada mudou.
Dentre as áreas que foram adequadamente comunicadas da decisão, cada uma entendeu uma coisa diferente. Cada gerente priorizou do seu jeito. A equipe esperou alguém começar primeiro.
Esse problema tem nome: Disciplina de execução (no caso, a falta dela).
E é onde a maioria das estratégias vai morrer em paz, sem barulho, sem velório.
O que acontece quando a Disciplina de Execução não é administrada a tempo. E sabemos que não é por falta de competência. Nem por falta de esforço. O que falta é clareza sobre quem faz o quê, em que prazo e com qual recurso.
Já vi time qualificado, motivado, alinhado em torno de uma decisão boa — e mesmo assim gerar resultado total igual a zero.
Como diria Renato Russo pela boca do Eduardo “melhor não comentar”, mas: a maioria das empresas é boa em uma das duas coisas. Raramente nas duas.
A verdade é que decidir o destino é diferente de desenhar o caminho.
Sem disciplina de execução, na missão de tomar conta de duas tartarugas, uma foge.
-Pessoal, conforme decisão do conselho, nosso principal KPI é cuidar dessas duas tartarugas…
O problema de não executar é parecido com o de não decidir — o tempo continua trabalhando.
Só que agora contra uma decisão que custou caro pra sair.
Publicado originalmente na newsletter Notas do Executivo de Segunda, no LinkedIn, em 18 de maio de 2026.
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