Como prometi semana passada, hoje vamos falar de maneira mais densa sobre a dificuldade que empresas, empresários e executivos têm para decidir.
Se perdeu a edição anterior, termina aqui primeiro. Depois volta e lê.
Seguinte:
Existe uma diferença importante entre prudência e paralisia.
Mas nem sempre ela aparece rápido.
Já vi empresa chamar de “aprofundar a análise” algo que, na prática, era medo de decidir.
E o problema de não decidir é que o tempo continua decidindo por você.
O mercado muda. Eleva preços e leva oportunidades embora. O time se desgasta. Fazendo várias vezes as mesmas análises. O cliente vai embora. Porque o produto não ficou pronto ou não atende mais. O custo aumenta. A margem cai.
E aí a empresa acha que precisa de mais clareza para entender o porquê disso tudo.
Tem decisão que realmente exige tempo. O risco é alto e precipitar-se pode sair mais caro do que esperar. Mas essas raramente são a maioria.
Geralmente o que existe é uma decisão que só parece complexa porque ninguém quer assumir o desgaste dela.
Tipo Djavan:
“mais fácil aprender japonês em braile…” (ou apedrejar pôneis em Bali) do que decidir se faz ou não faz.
Tem reunião que começa normal, e termina em Djavan… E aí começa o ritual corporativo:
mais uma reunião, que demanda mais um estudo, que gera mais uma reunião de alinhamento para que a questão seja apresentada em mais um comitê, que demandará mais uma reunião.
Até que o problema fique grande o suficiente para decidir sozinho. E ele decide.
O mundo não parou. Quem parou foi a empresa. O mercado não espera por decisões não tomadas. É um organismo vivo.
Nessa hora, normalmente a empresa chama de crise. Mas muitas vezes era só uma decisão que chegou tarde demais.
O mercado é um organismo vivo e não espera a decisão da empresa…
E aí marca-se mais uma reunião para discutir uma crise causada por uma decisão que chegou tarde demais.
Quem já participou da 14ª reunião sobre o mesmo tema sabe.
Publicado originalmente na newsletter Notas do Executivo de Segunda, no LinkedIn, em 11 de maio de 2026.
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