Contam que um executivo teve uma estafa nervosa. O médico foi direto: 30 dias de férias. Qualquer coisa que não tivesse ligação com trabalho.
O executivo resolveu ir para a fazenda de um amigo que já tinha oferecido várias vezes.
Tinha muitos livros para ler, filmes para assistir, séries para maratonar e música para ouvir. Nada que lembrasse trabalho.
Olha que interessante.
Em menos de 10 dias ele já tinha lido todos os livros, assistido todos os filmes, maratonado todas as séries e ouvido todas as músicas.
Duas vezes.
Pensa num cara produtivo.
Como ainda faltavam 2/3 das férias, ele procurou o administrador da fazenda:
“Posso te ajudar em alguma coisa. Qualquer coisa que não seja trabalho de executivo.”
O administrador, com uma pulga atrás da orelha, bem desconfiado respondeu:
“Tem abate de frango essa semana. Cortar a cabeça e depenar. Não é bonito, muita gente não consegue, mas vai te ocupar por um tempo.”
No fim do dia, as 500 aves estavam prontas.
O administrador não acreditou. Ninguém podia ser tão eficiente.
Resolveu aumentar o desafio:
“Está na época de preparar o terreno para o plantio. Tem que arar e espalhar o esterco. Uns 10 hectares. Isso deve tomar uns 10 dias.”
O executivo não esperou segunda ordem.
Passou um tempo desenhando a solução. Outro tanto executando.
No fim do segundo dia, estava tudo pronto.
O equivalente a 15 campos de futebol, devidamente adubados e prontos para o plantio.
O administrador quase teve um piripaque.
Mas o executivo ainda nem tinha chegado na metade das férias.
Pediu mais uma tarefa.
O administrador, já desconfiado, disse:
“Tem uma coisa simples. Temos um pomar de laranjas. Nem dá pra chamar de laranjal.
Separa assim:
As grandes → cooperativa para exportação
As médias → mercado da cidade
As pequenas → consumo interno da fazenda
O pomar é pequeno. Você faz isso em menos de uma hora.”
Pois bem.
Passaram-se 10 dias e ninguém na fazenda teve notícia do executivo.
O administrador ficou preocupado e foi procurá-lo.
Não estava no quarto.
Foi até o pomar.
E a cena não era boa.
O executivo estava sentado no chão. Com aparência de quem não dormia, não comia e não tomava banho há dias.
Na frente dele, três cestos vazios onde se lia:
Pequenas. Médias. Grandes.
E, nas mãos, uma única laranja já começando a estragar.
Ele olhava para ela e se perguntava:
“Será que é pequena? Ou é média? Comparando com outras que já vi… talvez seja grande…”
No fim, é isso:
Cortar cabeça, depenar ou espalhar bosta por aí, qualquer executivo faz.
Difícil mesmo é decidir.
Publicado originalmente na newsletter Notas do Executivo de Segunda, no LinkedIn, em 4 de maio de 2026.
Quer saber onde a sua empresa está travando o crescimento? Faça o Diagnóstico de Crescimento gratuito →