Foguete não tem ré. E isso é uma péssima notícia

Foguete Não Tem Ré!

(E isso é uma péssima notícia.)

Vejo muita gente inteligente aqui no LinkedIn repetindo isso como se isso fosse algo bom.

Até entendo o que querem dizer, só não acho a metáfora adequada.

Se você já viu o filme Apollo 13 – com o Tom Hanks ( “Houston, we have a problem!”), sabe que a impossibilidade de um foguete dar meia volta, é um baita problema.

O filme é baseado na história real da missão que não conseguiu pousar na Lua em 1970. Um acidente fez com que a nave não tivesse oxigênio e nem energia suficientes e isto impediu o cumprimento da missão.

Tiveram de contornar a lua, ficando por algum tempo sem comunicação com o comando da missão, aqui na Terra.

Voltaram! Mas poderiam não ter voltado…

Justo porque o tal do foguete não tem ré.

E é justo por não ter ré, ou talvez foguete não tenha ré por causa disso, que uma missão espacial é planejada em todos os detalhes.

Tudo é milimetricamente calculado e o menor erro pode ser catastrófico.

Falo que erros minúsculos podem custar bilhões de dólares ou, pior, vidas humanas.

E tem mais, um foguete só é usado para trajetos que não podem ser percorridos por nenhum outro meio de transporte.

Acredite, sua carreira não está milimetricamente planejada.

Há um milhão de coisas que você não controla e se acontecerem podem SIM parar ou atrapalhar seu foguete (que não tem ré.).

Além disso, é provável que o trajeto que você vai executar não demande um foguete. Ouso dizer que pode ser feito de carro.

A boa notícia é que um carro tem ré!

Ao entrar no carro, você sabe onde quer chegar, qual o limite de velocidade, e, caso aconteça algo imprevisto, como um engarrafamento, um acidente ou uma via fechada, você pode usar a ré e seguir por um outro caminho.

Eric Ries fala disso no seu livro A StartUp Enxuta (The Lean Start Up). Chama isso de PIVOTAR. Como um jogador de basquete muda de direção mantendo um dos pés no chão, você pode mudar a direção do carro e ainda assim chegar onde deseja.

Por fim:

Ninguém pilota um foguete.

Ao usar essa metáfora, imaginando-se num foguete, você está terceirizando (para o planejamento da missão, para externalidades e imprevistos) a responsabilidade por chegar ou não em segurança no seu objetivo.

Já no carro, que você dirige, essa responsabilidade é sua.

Ao encontrar um imprevisto você pode usar a ré para voltar para casa triste.

OU pode usá-la para persistir na busca por um novo caminho!

O que você escolhe?


Publicado originalmente no LinkedIn em 7 de outubro de 2021. Ver post original.

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